Por onde anda o petroleo brasileiro?

“Uma direita sem proposta e uma esquerda sem vergonha, é o que temos no Brasil.” [Raymundo Araujo Filho em 19DEZ2011]


“A publicidade oficial ufanista criou a legitimação da urgência em explorar o pré-sal e sua destinação obvia ao mercado internacional simplesmente modificando o produto natural de exportação representado em outras épocas em forma de pau-brasil, cana de açúcar, café, soja… Agora será a vez do petróleo.”

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Escrito por Wladmir Coelho

Política Econômica do Petróleo – 26 de Outubro de 2012

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A companhia petrolífera estadunidense ANADARKO colocou a venda os seus ativos no Brasil, avaliados de forma superficial em 3 bilhões de dólares, e não conseguiu compradores. Enquanto isso os valores de suas ações não param de cair gerando a necessidade de apresentação de um plano, de curto prazo, com investimentos baixos e lucros elevados. Como sabemos esta receita não caracteriza a exploração do chamado pré-sal brasileiro.

Este fato, o elevado custo para a exploração do pré-sal, não constitui nenhuma surpresa e para tornar viável o lucro dos oligopólios a Petrobras foi transformada em financiadora de todo o processo.

Para justificar esta ação um elaborado programa de publicidade foi construído em torno do potencial petrolífero nacional recordando o ufanismo da ditadura militar, cujo sentido era o mesmo, apresentando o governo como defensor das riquezas naturais e a Petrobras como executora deste processo.

Tudo fantasia publicitária. A Petrobras na verdade era transformada em operadora de todos os blocos, mas seu controle não ultrapassa os 30%. O fato de exercer esta condição, basta ler o texto da Nova Lei do Petróleo, implica em financiar todo o processo exploratório.

Com 30% a Petrobras paga a maior parte enquanto o restante – o lucro propriamente dito – fica para as empresas de sempre. A mesma lei garante aos oligopólios a liberdade de oferecer a quantidade de óleo que considerarem conveniente em pagamento ao Estado.

Enquanto isso ficavam os governadores e outros agentes brigando por migalhas ocupando as páginas dos jornais com discursos demagógicos em nome do controle royalties que de forma geral representam migalhas no contexto mais amplo desta negociata. O financiamento é nacional enquanto o lucro destina-se aos cofres dos bancos internacionais.

A publicidade oficial ufanista criou a legitimação da urgência em explorar o pré-sal e sua destinação obvia ao mercado internacional simplesmente modificando o produto natural de exportação representado em outras épocas em forma de pau-brasil, cana de açúcar, café, soja… Agora será a vez do petróleo.

Recordemos. A legislação do pré-sal foi elaborada nos anos iniciais da crise econômica mundial, em nossas terras denominada marolinha, fundamentando-se em uma vertente do keynesianismo ou entendimento deste a partir da intervenção do Estado como elemento em condições de patrocinar a salvação de um setor da economia. Todos conhecemos a situação dos oligopólios financeiros internacionais e quanto custa em nossos dias manter em funcionamento este modelo.  

Desta forma os geniais representantes do povo brasileiro – o crime foi cometido por quase unanimidade de nossos representantes – a partir de uma Lei escrita nos Estados Unidos e traduzida em Brasília criaram um fundo a ser formado, de forma obrigatória, com recursos oriundos do pré-sal.

 Estes recursos financeiros destinados ao Estado brasileiro devem ser aplicados de modo obrigatório em títulos – que podem pertencer – as empresas que abocanharam parte dos blocos. Vejam: a recuperação dos chamados investimentos internacionais ficaram garantidos e praticamente sem riscos.

            Neste ponto é importante observar que os mesmos grupos financeiros que neste momento controlam a política econômica mundial encontram-se a frente das direções e Conselhos das empresas petrolíferas – todas elas – determinando a forma de atuação e dividindo as áreas que devem ser ocupadas.

O aprofundamento da crise mundial diminuiu o lucro das empresas petrolíferas tornando menos atrativo o investimento em suas ações. Este fato criou maiores dificuldades para a capitalização, todavia a legislação brasileira possibilita a manutenção do modelo.

A situação da petrolífera britânica BG Group mostra com clareza esta situação. As empresas de classificação de risco levantam preocupações quanto a saúde financeira e exigem, da mesma forma que mostrávamos a respeito da Anadarko, um plano de médio prazo para aumento dos lucros.

Segundo analistas – ouvidos recentemente pelo Financial Times – o pré-sal torna-se a salvação da empresa britânica cujo Conselho liberou a assinatura do pedido de empréstimo de 4,5 bilhões de dólares para a aquisição da estrutura de exportação do petróleo brasileiro. Naturalmente a Petrobras, pelos motivos aqui expostos, encontra-se a frente nas responsabilidades com os credores.
A política econômica do petróleo no Brasil precisa ser modificada como urgência, pois seu objetivo maior é capitalizar os oligopólios financeiros internacionais através de uma exploração predatória do pré-sal. A Petrobrás foi criada para abastecer o mercado interno tratando-se de parte integrante de um plano nacional de desenvolvimento.

Trata-se, portanto de uma questão de segurança nacional a revisão da atual legislação que compromete qualquer plano de superação dos efeitos da crise internacional. Os resultados do trabalho no Brasil não podem continuar alimentando os bancos internacionais e sacrificando o nosso povo. Nossa realidade econômica, diferente da marolinha, revela-se nas greves dos servidores da educação federal, nos baixos salários dos professores do ensino fundamental, nos graves problemas observados na saúde.
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A ideologia e as seitas

“Uma direita sem proposta e uma esquerda sem vergonha, é o que temos no Brasil.” [Raymundo Araujo Filho em 19DEZ2011]

“A componente “religiosa” da ideologia dominante continua a constituir um dos mais eficazes instrumentos da opressão de classe.”

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Escrito por Filipe DinizODiario.info, em 28.10.2012

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Segundo os jornais, um dos candidatos que as sondagens davam como favorito na primeira volta das eleições municipais em São Paulo, no Brasil, acabou por ser prejudicado por ser o representante da coligação Partido Republicano Brasileiro (PRB) / Igreja Universal do Reino de Deus (IURD). Teve 21% dos votos, o que foi insuficiente para passar à 2.ª volta. Mas o candidato Serra passou, com 30,7%, apoiado pela coligação PSDB/IMPD. IMPD é a sigla da Igreja Mundial do Poder de Deus.

Estas «coligações» têm muito que se lhes diga, porque dos nove deputados federais eleitos pelo PRB, sete são pastores da IURD. Ou seja, não será fácil distinguir se é o partido o braço «político» da Igreja, ou se é a Igreja o braço «religioso» do partido.

Nas eleições presidenciais dos EUA o candidato republicano, Mitt Romney, já foi bispo e é um alto dignitário da Later Day Saints Church (LDS), mais conhecida como Igreja mórmon. E não é obviamente a primeira vez que um candidato nos EUA tem um forte vínculo público a uma instituição de carácter religioso, tendo em conta o papel de grande relevo que muitas dessas instituições desempenham na sociedade americana. Já para não falar das consultas directas que George W. Bush fazia com Deus, segundo o seu próprio testemunho.

Serão surpreendentes estes fenómenos? Nem por isso. Essas «igrejas» são sobretudo potentados económicos e mediáticos, e não o são apenas extorquindo o «dízimo» aos seus fiéis. A LDS controla empresas que geram rendimentos anuais de milhares de milhões de dólares, um jornal, uma estação de TV, 11 rádios, uma editora, negócios de seguros, é proprietária de milhões de hectares de terras nos EUA, Grã-Bretanha, Canadá, Austrália, México, Argentina, Brasil.

E quanto à dimensão «religiosa», podemos recordar a propósito a reflexão de Gramsci acerca do papel da categoria intelectual dos eclesiásticos medievais – a «aristocracia da toga» – enquanto intelectuais orgânicos de um sistema feudal que entrara em crise. Para a ideologia dominante, num quadro em que o capitalismo já exclui qualquer dimensão de racionalidade, a componente religiosa da ideologia ganha uma prioridade acrescida.

E não é só no Brasil e nos EUA.

A reeleicao de Barack Obama

“Uma direita sem proposta e uma esquerda sem vergonha, é o que temos no Brasil.” [Raymundo Araujo Filho em 19DEZ2011]

“A reeleição de Barack Obama não surpreende. O suspense em torno do suposto empate com Mitt Romney foi criado artificialmente para influenciar os indecisos…
Os media ditos de referência apresentaram a politica internacional do presidente c

omo o grande êxito do seu mandato. Romney não a criticou. Essa coincidência dos candidatos é por si só reveladora do nível de alienação do eleitorado da grande república…
O segundo mandato de Obama será para a humanidade tão negativo ou mais do que o primeiro.”
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Escrito por Os Editores de ODiario.info, em 7 de Novembro de 2012
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A reeleição de Barack Obama não surpreende. O suspense em torno do suposto empate com Mitt Romney foi criado artificialmente para influenciar os indecisos.

Mas a campanha de Obama, cinzenta, não se desenvolveu na atmosfera triunfalista da anterior. O presidente não cumpriu as promessas sintetizadas no slogan «sim, nós podemos!», que em 2008 entusiasmou milhões de compatriotas que acreditaram numa «mudança».

O País continua mergulhado numa crise profunda. A dívida pública interna aumentou para um nível astronómico. A dívida externa é a maior do mundo. O défice da balança comercial é colossal. Os EUA são hoje um estado parasita que consome muito mais do que produz e mantém a hegemonia mundial em consequência do seu enorme poderio militar. A política financeira de Obama, concebida para favorecer as grandes transnacionais e a banca, contribuiu para agravar o desemprego e manteve na miséria dezenas de milhões de famílias.

Romney com o seu programa assustou os negros, os latinos e um amplo sector da pequena burguesia branca. No início, o seu discurso era tão reaccionário que o modificou, deslocando-se da direita cavernícola para o centro.

Nos debates televisivos que encerraram o grande circo milionário da campanha eleitoral ele e Obama coincidiram praticamente nas questões fundamentais.

Os media ditos de referência apresentaram a politica internacional do presidente como o grande êxito do seu mandato. Romney não a criticou. Essa coincidência dos candidatos é por si só reveladora do nível de alienação do eleitorado da grande república.

É difícil encontrar precedente na História dos EUA para uma politica externa que tenha configurado para a humanidade uma ameaça comparável à desenvolvida por Barack Obama.
No Iraque, vandalizado pela ocupação militar, permanecem milhares de oficiais e dezenas de milhares de mercenários e a violência é um flagelo endémico. No Afeganistão, a guerra está perdida, a maior parte do país encontra-se sob controlo das forças que combatem a ocupação dos EUA e da NATO, e o governo fantoche de Karzai é odiado pelo povo.

A utilização dos aviões sem piloto, os drones, substituiu progressivamente os bombardeamentos da força aérea tradicional. O presidente Obama elogiou repetidamente durante a campanha o recurso a essa nova modalidade criminosa de guerra. É ele pessoalmente quem selecciona os «inimigos» a abater em listas elaboradas pela CIA, submetidas à sua aprovação. Mas nesses bombardeamentos «cirúrgicos» a aldeias do Paquistão milhares de camponeses, como reconhece o próprio New York Times, têm sido mortos.

Durante a campanha, Obama evitou o envolvimento dos EUA em novas guerras de agressão. Mas, reeleito, a sua estratégia belicista de dominação mundial vai ser retomada. O ataque à Síria será o próximo objectivo. A decisão será americana, muito embora Washington incumba dessa tarefa a Turquia e provavelmente a França e a Grã-Bretanha.
Resolvida «a questão síria», os EUA, em parceria com Israel, intensificarão a campanha mundial que visa a destruição do seu grande «inimigo» na Região, o único grande estado islâmico que não se submete à sua estratégia imperial: o Irão.

A actual politica para a América Latina, que através de golpes de estado atípicos em Honduras e Paraguai afastou presidentes incómodos, terá continuidade. Washington sofreu uma derrota importante com a reeleição de Hugo Chavez, mas a guerra não declarada contra a Revolução Venezuelana vai prosseguir.

A prioridade na estratégia belicista da nova Administração será contudo a China. Obama foi transparente quando anunciou que dois terços do poder aeronaval dos EUA vão ser concentrados na Ásia Oriental. É por ora imprevisível o estilo que assumirá a politica anti-chinesa (e anti-o russa) de Barack Obama. Mas pode-se antecipar que a maioria republicana da Câmara de Representantes apoiará uma intensificação da política belicista da Casa Branca.
Cabe perguntar: como foi possível atribuir a tal homem o Prémio Nobel da Paz?
O segundo mandato de Obama será para a humanidade tão negativo ou mais do que o primeiro.

Eleicoes nos EUA: do mal menor ao mal maior – A morte do liberalismo critico

“Uma direita sem proposta e uma esquerda sem vergonha, é o que temos no Brasil.” [Raymundo Araujo Filho em 19DEZ2011]

Há evidência ampla de que a presidência Obama puxou o espectro político estado-unidense ainda mais para a direita. Na maior parte dos assuntos de política interna e estrangeira Obama abraçou posições extremistas que ultrapassam seu antecessor republicano e, no processo, devastou o que restava da paz e dos movimentos sociais da década passada. Além disso, a presidência Obama estabeleceu a base para o futuro imediato ao prometer uma nova extensão de políticas regressivas a seguir às eleições presidenciais: cortes na Segurança Social, Medicaid e Medicare.”

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Escrito por James Petras

Publicado no diário liberdade em 6 de Novembro de 2012

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Há evidência ampla de que a presidência Obama puxou o espectro político estado-unidense ainda mais para a direita. Na maior parte dos assuntos de política interna e estrangeira Obama abraçou posições extremistas que ultrapassam seu antecessor republicano e, no processo, devastou o que restava da paz e dos movimentos sociais da década passada. Além disso, a presidência Obama estabeleceu a base para o futuro imediato ao prometer uma nova extensão de políticas regressivas a seguir às eleições presidenciais: cortes na Segurança Social, Medicaid e Medicare.


O mandatário actual e seu opositor competem por centenas de milhões de dólares de fundos de campanha dos doadores ricos, os quais eles terão de reembolsar no período pós eleitoral com doações de milhares de milhões de dólares, subsídios, abatimentos fiscais, políticas anti-trabalho e anti-ambientais. Nem uma única proposta positiva foi avançada pela campanha de Obama mas foram articuladas numerosas políticas militaristas e socialmente regressivas. A campanha de Obama move-se num ambiente de medo, competindo com as propostas reaccionárias da aliança Romney-Tea Party: um encobrimento do seu próprio registo de gastos militares sem precedentes, guerras sequenciais, expulsões de imigrantes, arrestos hipotecários e salvamentos da Wall Street. 

Neste processo, os críticos liberais atravessaram a linha, abdicando da sua integridade ao desviarem a atenção das políticas militaristas-socialmente regressivas de Obama para centrarem-se no “Romney opositor” como um “mal maior”: progressistas e liberais críticos multiplicaram e ampliaram a duplicidade do aparelho político de Obama. Em nome da oposição ao actual “mal maior” (Romney) eles não ousam enumerar e especificar os desumanos crimes políticos e monumentais injustiças sócio-económicas perpetradas pelo seu candidato do “mal menor” (Obama). Será que os “progressistas” alguma vez actuarão honestamente e declararão: nós apoiamos Obama em “estados oscilantes” porque ele assassinou “apenas” 10 mil afegãos, 5 mil iraquianos, está a esfaimar 75 milhões de iranianos através de sanções, dá US$3 mil milhões para a deslocação israelense de milhões de palestinos, superintendente pessoalmente as execuções arbitrárias de cidadãos estado-unidenses e promete uma lista de mortes extensa … porque Romney promete ser pior … Esperar honestidade dos proponente de “males menores” é tão irrelevante como levar a sério o seu criticismo entre eleições. 

O dano político causado a si próprio pelos movimentos sociais e pela classe trabalhadora dos EUA sob a presidência Obama é sem precedentes e lançou a base para nova regressão social e maior belicosidade imperial. 

Consequências políticas da presidência Obama: passado, presente e futuro 

A presidência Obama e as corridas das campanhas eleitorais passada e actual tiveram um impacto devastador nos movimentos sociais populares, empenhados em questões de paz, trabalho, direitos dos imigrantes e constitucionais e regulamentação ambiental. 

O movimento da paz virtualmente desapareceu pois os seus líderes instaram os apoiantes a voltarem-se para o apoio à eleição de Obama. Ele deu-lhes o prémio ao escalar despesas militares e envolver-se em guerras seguidas, directamente ou por intermediários, em sete países, provocando caos e destruição. Teve de enfrentar uma oposição mínima pois ex-activistas da paz, em desalento, distanciaram-se ou obtiveram um posto e pediram desculpas pela guerra. Em 2012 os líderes da paz que se seguem repetem a mesma lenga-lenga para apoiar Obama, mas não ousam repetir a mentira passada (em nome da “paz”) e dizem pretender “derrotar Romney”. 

Os movimentos de direitos de imigrantes antes da eleição de Obama em 2008 mobilizaram vários milhões … até que foi infiltrado e tomado por falcões políticos mexicano-americanos do Partido Democrata e transformado numa máquina eleitoral para assegurar postos eleitos para si próprios e para Obama. Ele premiou os imigrantes alcançando um recorde: capturou, encarcerou e expulsou 1,5 milhão de imigrantes ao longo do seu mandato. O movimento de massa dos direitos dos imigrantes foi em grande medida desmantelado e agora prostitutos políticos do Partido Democrata contratam propagandistas para arrebanhar e registar eleitores imigrantes altamente desiludidos. 

Os afro-americanos foram o sector da classe trabalhadora dos EUA mais abandonado sob Obama: experimentaram os mais altos níveis de desemprego e arrestos de casas assim como os mais longos períodos de desemprego. Eles tornaram-se politicamente invisíveis pois Obama dobrou-se para apaziguar raivosos racistas brancos que procuram etiquetá-lo como um “presidente negro”. A liderança negra estabelecida – política e religiosa – e as celebridades dos media efectuaram o bloqueio total a qualquer expressão da oposição das bases, afirmando que isso só “ajudaria os racistas” – ignorando a adopção e salvamento da Wall Street branca por Obama e mostrando as costas a milhões de famílias negras em dificuldades extremas. Sem movimento ou liderança, temerosos em relação ao problema (racismo económico) e à solução (mais quatro anos de invisibilidade sob Obama) a maior parte dos trabalhadores negros é relegada à abstenção ou a apertar o nariz e votar pelo “Oreo” Obama. 

O movimento Occupy Wall Street, precisamente porque era independente do Partido Democrata e enojado com a total subserviência de Obama à Wall Street, proporcionou uma voz temporária à vasta maioria de americanos que se opõem a ambos os partidos políticos. Os responsáveis locais e estaduais do Partido Democrata aplaudiram “a causa” e a seguir reprimiram o movimento. 

Um movimento espontâneo sem direcção política, e falto de uma liderança política alternativa, era incapaz de confrontar o regime Obama: o movimento declinou e desintegrou-se, muitos simpatizantes foram engolidos pela campanha de propaganda do “menor mal” em Obama. O ânimo da massa popular para com a Wall Street foi desactivado pela afirmação de Obama de ter salvo “a economia” da catástrofe ao canalizar US$4,5 milhões de milhões para dentro dos bolsos dos banqueiros. 

Direitos constitucionais foram dizimados pela defesa de Obama de julgamentos militares, pela era de torturas de Bush, pela expansão do poder executivo arbitrário incluindo o poder presidencial de assassinar cidadãos dos EUA sem julgamento. Enquanto organizações legais lutavam o bom combate por liberdades civis, a vasta maioria de liberais notabilizou-se pela sua ausência de qualquer movimento democrático prolongado em defesa dos direitos de 40 milhões de americanos sob vigilância policial, especialmente cidadãos muçulmanos e imigrantes. Eles optaram por não embaraçar o seu presidente democrata: colocaram a reeleição de um estado-policial democrata acima da sua suposta defesa de direitos constitucionais. Nem manifestações em massa por liberdades civis, nem protestos contra a Segurança Interna, nem movimentos nas universidades contra a abolição do direito de criticar Israel. 

Durante décadas as confederações sindicais e movimentos de cidadãos defenderam a Segurança Social, o Medicare e o Medicaid. Com Obama no gabinete, declarando abertamente, e preparando, grandes reduções e cláusulas regressivas na cobertura (aumento da idade de qualificação) e na indexação, não há movimento de protesto significativo. Programas que na maior parte de um século (segurança social) ou meio século (Medicare, Medicaid) era considerados intocáveis estão agora, segundo Obama, “em cima da mesa” para serem estripados (“reformados”, “ajustados”). Os patrões milionários de sindicatos contratam um pequeno exército de trabalhadores de campanha e colectam mais de US$150 milhões para reeleger um presidente que promete fazer enormes cortes em programas médicos para os pensionistas e os pobres. Obama legitimou as posições sociais regressivas da extrema-direita enquanto o Partido Democrata neutralizou qualquer oposição ou mobilização sindical. 

Finalmente, mas não menos importante, o regime Obama cooptou críticos progressistas liberais-sociais via apoio pela porta dos fundos. Em nome da “oposição a Romney” os sábios progressistas, como Chomsky e Ellsberg, acabaram numa aliança com a Wall Street e bilionários do Silicon Valley, militaristas do Pentágono, promotores da Segurança Interna e ideólogos sionistas (Dennis Ross) para eleger Obama. Naturalmente, o apoio dos progressistas será aceite – mas dificilmente reconhecido. Eles não terão qualquer influência na futura política de Obama após a reeleição: serão descartados como preservativos usados. 

O futuro: consequências pós eleiltorais 

Com ou sem a reeleição de Obama, o seu regime e as sua políticas lançaram as bases para uma agenda social ainda mais regressiva e reaccionária: padrões de vida, incluindo saúde, previdência, segurança social, serão cortados drasticamente. Afro-americanos permanecerão invisíveis excepto para a polícia e o sistema judicial racista. Imigrantes serão perseguidos, capturados e expulsos de casas e empregos: sonhos de estudantes imigrantes tornar-se-ão pesadelos de medo. Esquadrões da morte, guerras por procuradores (proxy) e com drones multiplicar-se-ão para acompanhar a bancarrota do império estado-unidense. Progressistas irresponsáveis e hipócritas mudarão a marcha e criticarão o presidente que elegeram; ou se for Romney atacarão os mesmos vícios que ignoraram durante a campanha eleitoral de Obama: mais cortes nos gastos públicos e mudanças climáticas [NR] resultarão em maior deterioração na vida quotidiana e da infraestrutura básica; mais inundações, incêndios, pragas e apagões. Os nova-iorquinos aprenderão a desintoxicar sua água do toilette; eles podem estar a beber e a banhar-se nela. 

‘Esse governo so olha o dinheiro, o lucro, esquece que existem povos e nacoes’

“Uma direita sem proposta e uma esquerda sem vergonha, é o que temos no Brasil.” [Raymundo Araujo Filho em 19DEZ2011]

“Enquanto isso, os guarani seguem em seu clamor por socorro e solidariedade, pois, ao contrário do homem branco explorado, não aceita ou deseja compreender a retirada do habitat natural em favor de um “desenvolvimento” que jamais debateram…”

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Escrito por Gabriel Brito

26 de Outubro de 2012

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Como raras vezes se vê ocorrer, os últimos dias foram e continuam sendo de comoção em torno da maltratada causa indígena no Brasil. Após uma ordem de despejo da 1ª Vara Federal de Naviraí (MS) sobre terra indígena dominada por fazendeiros em Dourados (MS), os índios guarani kaiowá anunciaram através de carta aberta que não aceitavam a decisão e ficariam em suas terras ancestrais, vivos ou mortos, o que chegou a ser interpretado pelo público como um indicativo de suicídio coletivo.

Não era exatamente do que se tratava, pois os índios afirmavam que lutariam até o fim pelas terras e descartavam qualquer retorno à miserabilidade das cidades ou das beiras de estradas. De toda forma, o Brasil inteiro e agora o mundo veem se acirrar o conflito entre os latifundiários e seus habitantes originários, que por sua vez têm sido vítimas de uma crescente violência, representada pelas cerca de 500 mortes de índios guarani no estado desde 2003.

“Só nas aldeias Passo Piraju, Bokerón e Pyelito Kue (região de Dourados), são 412 famílias. Desde 2004, há um mandado de reintegração de posse. Hoje, a aldeia é estruturada, com água, energia, escola, posto de saúde, roça, animais, pomares…”, conta o cacique guarani Ládio Veron, que se encontra em São Paulo até 1º de novembro em busca de apoio e divulgação da causa guarani-kaiowá.

Na conversa com o cacique da aldeia Takuara (também afetada pela violência do “moderno” agronegócio), hospedado na metrópole por militantes sociais, fica claro que a repercutida declaração de guerra dos fazendeiros do Mato Grosso do Sul é concreta, já se traduzindo em cercos armados por pistoleiros em diversas fazendas, ou suas beiradas, ocupadas e acampadas pelos índios, em sua maioria guarani neste estado.

“Já temos 46 novas aldeias prontas pra serem reconhecidas. Três tiveram terras homologadas e outras três demarcadas. Todas foram embargadas pelo STF. Falta o estudo antropológico de todas as outras. A demora da FUNAI leva ao conflito. Nisso, somos muito ameaçados pelos fazendeiros e pistoleiros. E o índio começa a cansar, começa a acampar, mesmo em péssimas condições – sob sol, chuva, na lama, tem índio vivendo assim embaixo só de uma lona preta”, explica Ládio, deixando claro que os indígenas não abrirão mão de retomarem seus territórios, independentemente de saírem ou não as homologações e demarcações que esperam eternamente. “A takuara tem 90 hectares e 88 famílias, aguardando a demarcação. Mas Gilmar Mendes suspendeu todos esses processos de demarcação e homologação que citei”, completa.

Tal decisão não surpreende, ainda mais vinda de um magistrado famoso pela atuação política coronelista desde sua terra natal (Diamantino-MT), onde, por sinal, amealhou terras por meio de seus amigos da ditadura, como já comprovado pela imprensa. O pior, no entanto, é o padrão de decisões da justiça, em especial a sul-mato-grossense, sempre em favor dos proprietários brancos, quaisquer sejam as circunstâncias e perigos em jogo. “Nas mãos da justiça de São Paulo, os assassinos foram presos. Depois, o processo foi pra justiça do MS, que libertou os assassinos do meu pai. Agora, eles voltaram às milícias e continuam aqui nos ameaçando”, denuncia Ládio.

Aliás, o cacique também já foi alvo dos algozes do Cerrado, no que configura um método, no sentido de desfigurar a resistência e identidade indígenas. “Muitas lideranças estão morrendo, caciques, professores, rezadeiras. Eles têm como estratégia eliminar as referências dos índios e com isso enfraquecer mais ainda sua luta. Hoje morrem muito mais índios do que no tempo do FHC, quando nenhuma liderança morria”, disse, desnudando mais esse fracasso do governo Lula, disfarçado pelo ufanismo publicitário que exalta o “dinamismo” do agronegócio e sua importância na balança comercial do país.

Virada

Após prometer que demarcaria todas as terras indígenas já estudadas antropologicamente, o ex-presidente voltou a mostrar suas inumeráveis facetas políticas ao fechar acordo de biocombustíveis com o então presidente dos EUA, George Bush, nos idos de 2007, dando início a um período de inaugurações em série de usinas de álcool e cana de açúcar, geralmente tocadas à base de trabalho escravo e cujos donos foram por ele qualificados como “herois nacionais”.

“Depois das promessas não cumpridas, Lula fez o acordo dos biocombustíveis e foi aí que o jogo virou. Passou a falar em usinas, foi a inaugurações em que foi recebido com tapete vermelho de 10 metros pelos fazendeiros…”, lamenta o cacique.

Como desgraça pouca tem sido bobagem, os indígenas, na prática, não podem contar com o órgão oficial que em tese deveria estar a serviço de seus interesses. “A FUNAI, por sua vez, alega falta de estrutura. Não é o que vemos quando vamos lá. Tem funcionário se amontoando, assim como as cestas básicas que deveriam ser entregues aos índios”, critica.

Conforme avança a conversa com a liderança guarani, o mesmo ocorre com o grau de surpresa a respeito dos atos do órgão indigenista, o que faz suspeitar que seu principal papel seja o de praticar um jogo duplo que contenha a indignação dos índios, ao passo que mantém na mais extrema morosidade os processos de reconhecimento e entrega de terras. Inclusive, fazendo ameaças.

“A FUNAI tenta nos retaliar quando nos pronunciamos, vem dizer que não podemos e fazem ameaças. Foram ao MP pedir algum tipo de decreto que impedisse oficialmente as lideranças de se pronunciarem publicamente. Mas não tenho medo disso, vou falar. Alguém tem que sair de lá e falar. Outros também farão isso”.

Uma política de Estado

Apesar da indignação que se espalha com considerável alcance pelo país ante uma clara possibilidade de genocídio, não se pode vender ilusões de que a atual mobilização pelos direitos indígenas (reconhecidos pelo Brasil em sua Constituição e também por convenções da Organização Internacional do Trabalho) carregue consigo grandes chances de êxito, ao menos no curto prazo.

“Ao contrário do que diz o governador, não queremos o MS todo pra gente. Mas com 3539 hectares habitados por 16.000 famílias não há espaço pra mais nada, não tem onde plantar mais alguma coisa. As áreas que um dia foram demarcadas pelo antigo SPI (Serviço de Proteção ao Índio) já estão todas lotadas. A FUNAI demarcou mais 12, todas já lotadas. E ainda por cima cercadas pelo agronegócio”, explica Ládio.

Dessa forma, depreende-se que não é sem alguma “racionalidade” que os fazendeiros intensificaram sua ofensiva antiindígena nos anos Lula/Dilma. Noves fora a milonga governista, as medidas práticas saídas de Brasília vão no claro sentido de incentivar os monocultivos e a total e desbragada exploração capitalista dos bens naturais.

A recente destruição via parlamentar do Código Florestal apenas escancara o caminho tomado pelo governo autointitulado “democrático-popular”. Com isso, não se pode colocar somente na conta de políticos, magistrados e fazendeiros locais a atual barbárie, representada por diversos cercos a aldeias indígenas em todo o estado, o que denota uma coordenada estratégia política, certamente bem calculada e amparada nos bastidores da República.

“Não tem mais Cerrado, Caatinga, mata alta… Estão acabando com tudo. Não temos mais as plantas medicinais que existiam aqui, por exemplo, pois pra onde se olha é um mar de cana. Eles derrubam tudo mesmo, cada árvore, dizendo que é por causa do veneno jogado por avião nos monocultivos. E aí não tem limites de intoxicação… A água da aldeia Takuara era cristalina; hoje está amarelada, pela poluição, agrotóxicos. Não tem mais peixe, não dá pra caçar, os rios estão secando”, enumera Ládio.

Enquanto isso, os guarani seguem em seu clamor por socorro e solidariedade, pois, ao contrário do homem branco explorado, não aceita ou deseja compreender a retirada do habitat natural em favor de um “desenvolvimento” que jamais debateram. Milênios antes dessa cunha, já tocavam suas vidas em harmonia com a natureza com a clareza de que tais terras são seu sustento, sendo obrigatória sua permanente preservação, através de todas as gerações.

“Esse Código Florestal que fizeram aí já está acabando com tudo. O cheiro da cana é insuportável. Mesmo ficando a alguns quilômetros da cidade, quando o vento bate nessa direção todos podem sentir, a garganta seca, pessoas passam mal… E o Lula teve a coragem de inaugurar usina em cima de terra indígena, no caso a Usina Nova América. Esse governo só olha o dinheiro, o lucro, esquece que existem povos e nações ali”.

Gabriel Brito é jornalista do Correio da Cidadania.

Fonte: www.correiocidadania.com.br

Homenagem a Raymundo Araujo Filho

“Uma direita sem proposta e uma esquerda sem vergonha, é o que temos no Brasil.” [Raymundo Araujo Filho em 19DEZ2011]


Raymundo Araujo Filho



Sempre que a vida me escapa

Penso lembranças de ti

Em que distancias te escondes?

Em que planeta andarás?
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27.09.2012


É possível sonhar!

Escrito por Paulo Silveira 


“Aí, Paulão, vou nessa”

Domingo ficamos todos mais pobres, uns mais outros menos, mas com certeza todos nós perdemos.

Perdemos um amigo, um cúmplice, alguém que torcia e se contorcia pelo sucesso alheio.

Perdemos um ser solidário que, em sua passagem por aqui, nos mostrou que era possível sonhar, mesmo aquele sonho que nos parece impossível. Que sonhar alimenta a alma, o espírito, a vida, independentemente de sua realização, de sua conexão com a realidade.

Alguém que necessariamente não era feliz, mas que sabia fazer o outro ficar menos triste com sua palavra amiga, com seu colo aconchegante, com seu olhar brilhante de quem vê a luz no fim do túnel, mesmo quando para todos sobressaía a escuridão.

Não se foi ninguém famoso, nenhuma celebridade, mas alguém que conseguiu reunir em sua despedida desde o agricultor mais simples ao intelectual de destaque, que de velho a crianças as lágrimas se misturavam com os sorrisos fartos ao se lembrarem de suas histórias, de passagens que cada um de nós teve o privilégio de dividir com ele.

Não, não éramos muitos, até porque foi tudo tão de repente, sem nenhum aviso prévio, aliás, como tudo o que fez em sua vida, que poucos de nós tivemos tempo de sermos avisados e lá comparecer.

A expressão estampada na face de cada um de nós era de incredulidade. Que brincadeira mais sem graça foi essa. Com que direito ele se foi sem se despedir de cada um de nós?

Quem agora vai distribuir esperança com a simplicidade e a naturalidade com que ele fazia?

Pois é, Raymundinho se foi.

Se vida houver depois dessa e um dia eu o encontrar de novo, vou lhe roubar um abraço como fazia de vez em quando e vou exigir meu sorriso de volta.

Até breve, amigo, e obrigado por ter feito parte de minha vida.

Paulo Silveira é membro do movimento “respeito é BOM e eu gosto


epúbloca do coração indomado

Escrito por Paulo Barroso 

Sempre que a vida me escapa
Penso lembranças de ti    
Em que distancias te escondes?         
Em que planeta andarás?   

Será que ainda combates         
Engenhos de vento e de luz
Será que apenas cansaste 
como o resto de nós            

Bem que souberas   
De alguma qualquer maneira  
Todos se ajustaram    
Todos se tornaram
O que se esperava de nós      

Apenas tu não – não te ajustaste jamais

Saúdo a ti, comandante 
Galopas o teu Rocinante, 
Pelas cidades e campos
De um país estrangeiro

Saúdo a ti, camarada
Soldado civil desarmado
Trazes bem alto o estandarte
da República do Coração – Indomado

Assim é a vida, os lutadores também se vão

Escrito por Waldemar Rossi 

Inesperadamente, perdemos nosso grande amigo e companheiro Raymundo Araújo. Foi no último dia 23 de setembro. O coração pregou-lhe uma peça: recusou continuar a bater em seu peito. Sua vida foi ceifada ainda muito cedo.

Conhecemo-nos por acaso – se é que o acaso existe –, através das mensagens da internet, já não me lembro bem, mas sei que nosso contato se iniciou sobre as questões políticas dos últimos anos. Ele no Rio, eu aqui em São Paulo. Travado o primeiro contato, a afinidade se revelou com nossas preocupações quanto à justiça sistematicamente negada aos trabalhadores, do campo e da cidade.

Com o passar do tempo, vindo a São Paulo, Raymundo nos fez uma visita, a mim e à Célia, em nossa casa. A amizade e o companheirismo cresceram de forma extraordinária e rapidamente, graças ao seu temperamento dinâmico.

Sempre gostei do teor dos seus escritos voltados para a política nacional e as lutas dos trabalhadores. Mas não escondia minhas insatisfações quanto aos excessos das adjetivações. Toda sua decepção e insatisfação com as traições dos que deveriam defender os interesses populares, ele as fazia extravasar com múltiplos adjetivos, muitos dos quais excessivamente ofensivos. Não era revoltado. Era indignado e agia conforme sua indignação. Abusando de nossa recente amizade, ousei sugerir que ele se ativesse ao debate político, deixando de lado as adjetivações desnecessárias, pois estas poderiam soar como desqualificação de pessoas ou do debate político. Diz antigo ditado que “o uso do cachimbo faz a boca torta”. Raymundo entendia e acatava as observações, mas, vira e mexe, retomava seus escritos furiosos, numa luta incansável consigo mesmo.

Como todo ser humano honesto, foi progressivamente evoluindo, e o desnecessário foi sendo descartado em seus artigos, que passaram a ser de leitura mais agradável, tendo aceitação maior.

Com o tempo, tivemos a felicidade de conhecer sua companheira Tita Ferreira, que também teve a gentileza de nos visitar em casa. Nesse dia, depois de um animado papo, Raymundo e Tita lançaram a ideia de fazer uma gravação com o “casal militante”, como ambos nos apelidaram. Daí, para surpresa nossa, editaram um DVD ao qual deram o título de “A História por quem a faz”.

Aprendi a admirar e respeitar seu firme compromisso com a justiça social e suas ações visando contribuir para o esclarecimento, sobretudo de trabalhadores do campo, sua área de atuação, oferecendo seus conhecimentos e contribuindo para sua organização. Como todo ser humano consciente do seu protagonismo na história, Raymundo tinha planos generosos de apoio aos que se mantêm firmes e perseverantes nas lutas populares. Era agradável ouvi-lo falar com grande entusiasmo sobre seus trabalhos, assim como dos projetos do casal em andamento, especialmente na área da pecuária.

Mas, infelizmente, “nem tudo são flores”. Raymundo se foi. “Em que planeta andarás?”,pergunta Paulo Barroso, em seu poema “República do coração indomado”, escrito no mesmo dia 23, em sua homenagem. Paulo foi muito feliz com o título desta linda poesia, pois Raymundo, felizmente, sempre foi um coração indomado, não aceitando medidas e atitudes autoritárias, nem mentiras e bravatas de políticos se dizentes de “esquerda”. Por isso mesmo, sofreu perseguições e ameaças. Mas manteve-se perseverante e fiel aos seus princípios.

Sentiremos sua falta, Raymundo, e a saudade já bate às portas do nosso coração e da nossa mente. Você deixa um espaço vazio, que não se poderá preencher!

Nossa solidariedade à querida Tita, emocionalmente abalada com a partida inesperada, generosa companheira dos últimos anos da vida do Raymundo. Nossa solidariedade se estende à sua mãe e a todos os seus familiares.

Nesta modesta homenagem ao companheiro Raymundo, pedimos licença para acrescentar um refrão da música dedicada a Santo Dias da Silva, quando do seu assassinato pela polícia da ditadura militar: “Santo, a luta vai continuar. Por seus filhos, vai continuar…”.

Waldemar Rossi é metalúrgico aposentado e coordenador da Pastoral Operária da Arquidiocese de São Paulo.